quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Os comentários de Merkel e Schulz a Portugal

Deixa-me perplexo a natureza dos comentários que altos responsáveis alemães começam a fazer de Portugal.
Sendo certo que os cidadãos são livres de fazer e dizer o que querem, quando têm responsabilidades públicas desta natureza as suas declarações representam uma nação.
Neste caso deram-se ao luxo de comentar as opções políticas de um país terceiro - isto é ordinário e insultuoso.

Ainda custa mais ouvir quando sabemos que as opções de política são há 20 anos fortemente condicionadas  pelos estímulos da UE, dos quais os Fundos Estruturais têm sido veículos fundamentais, e relativamente aos quais os países maiores sempre ditaram as regras e prioridades.
As obras publicas - que agora se criticam - foram também impulsionadas por eles. A destruição de sectores inteiros de produção nacional tradicionais foram  em larga medida suportados em medidas da UE. O euro funciona a favor destes países. A nossa culpa (a dos governos de Cavaco sobretudo, mas também os seguintes) foi surfar estupida e acriticamente esta onda.

Imagine-se o que aconteceria se um governante português comentasse que ao fim de tanto investimento na reunificação alemão, os cidadãos do antigo leste continuem em geral com níveis vida claramente inferiores aos restantes alemães?
Seria emtendido como uma inaceitável ingerência em assuntos internos.

No nosso caso imagino que Passos deva estar a preparar as costas para se entregar à flagelação da companheria Merkel, ajoalhando quando tinha uma oportunidade de ouro para "fazer peito".

A este respeito, remeto para este post do Aventar, que coloca as questões numa perspectiva histórica, e de forma muito mais interessante que eu.

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