O governo aproveitou o chumbo do Tribunal de Contas do visto prévio ao contrato de concessão para por fim a um projecto que quis matar desde o primeiro momento.
Sem ser um especialista na matéria, sempre me pareceu que os projectos inciais de alta velocidade eram um perfeito desvario (a última versão do governo Durão era absolutamente surrealista pelo disparate de dimensão da rede proposta).
No entanto, entendo que esta linha Lisboa-Madrid era provavelmente justificada, não apenas pelo nível de integração que existe hoje com a economia espanhola (gostemos ou não), mas também porque era uma ligação ferroviaria decente com o resto da Europa, e diminuiria a sensibilidade da operação de tráfego aéreo na Portela, agora ainda maior com o atirar para as calendas dos prazos de construção de um futuro aeroporto.

Com a decisão tomada levantam-se agora vários problemas importantes:

não estaremos a "deitar fora" um montão de dinheiro de fundos comunitários que haviam sido atribuídos para esta finalidade?
E que negociatas irá gerar a pressão dos privados para serem ressarcidos de gastos em que já incorreram, e eventualmente em prespectivas de lucros que deixam de se concretizar?
Acho que todo este processo ainda dará muito que falar, e dificilmente pelas boas razões.