segunda-feira, 2 de abril de 2012

Mais um cortezinho no Estado Social

Depois da notícia do dia de ontem ser as novas condições de acesso ao subsídio de desemprego, com grandes cortes na sua duração e limites máximos (ainda que alargado aos recibos verdes), e de na 6ª feira passada se falar das novas limitações no subsídio social de inserção, hoje fala-se dos cortes no subsídio de doença.

Este conjunto de medidas faz parte de um dos pontos chave do programa deste governo, que passa pelo desmantelamento de um sistema geral de apoio a condições de vida minimamente decentes para a generalidade da população, e com o qual a direita política sempre conviveu muito mal. A troika e o seu programa foi a justificação que faltava para a aplicação deste programa vergonhoso.

O que mais me irrita em tudo isto é a argumentação moralista que é muitas vezes utilizada, que diaboliza os abusadores do sistema (que obviamente existem), generaliza o espírito que lhe está implícito a todos os beneficiários, e cria a ideia de que o acesso a estes sistemas de apoio e ao acesso a um mínimo de condições de vida não é um direito mas uma benece concedida a contragosto pela sociedade e que  há que eliminar o mais rapidamente possível porque promove a perguiça.

Esta cretinice só pode ser admitida por um bando de gente que nunca teve dificuldades na vida e que não concebe por-se no lugar de quem passa mal, seja qual for o motivo que lhe está na origem (doença, azar, menos condições de partida, etc). E julgo que isto acontece porque intimamente se consideram superiores e não admitem que tal coisa (ficarem em estado de necessidade) lhes venha a acontecer. E gente que se considera assim não respeita os outros e, por consequência, não me merece respeito.

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