terça-feira, 23 de julho de 2013

Contratações na educação e destruição do Estado Social

In DN de hoje
A educação pública, gratuita, generalizada e de elevada qualidade, é uma das peças essenciais para se ter no longo prazo uma sociedade mais decente e mais igual, e uma economia mais desenvolvida.

Um dos objectivos claros deste governo é justamente dar uma machadada no ensino público, sendo esta notícia só mais um triste sinal, que acompanha as medidas de redução de professores, o aumento de alunos por turma e o aumento do apoio ao ensino privado. O golpe final virá se conseguirem implementar a estafada ideia do cheque ensino.
Uma coisa é certa:o caminho trilhado tem sido o da degradação progressiva do ensino público.

A minha geração (nasci pouco antes da revolução de Abril) é a da generalização do ensino, dos filhos da porteira que entraram na universidade (e mal ou bem ascenderam socialmente face à geração anterior), da coexistência sobre um mesmo espaço de aprendizagem do filho do médico e do servente de obra, a geração da filha da doméstica que fez um doutoramento nos Estados Unidos, e é dos maiores especialistas numa qualquer área do saber.
Pese embora  as condições de partida nunca nos tornassem iguais, a verdade é que tinjamos a sensação que o futuro não tinha portas fechadas em função da nossa origem.

Degradando a escola pública promove-se o ensino privado de elite - de que as elites tanto gostam - mas reduz-se brutalmente a diversidade e a escala dos que podem ir longe, promovendo-se fatalmente a mediocridade.

Tenho pena que os meus filhos possam não conhecer a escola que conheci (com todos os enormes defeitos que tinha). Nos últimos anos aliás a qualidade havia evoluído  muitíssimo face ao que vivi.
Perder isto é uma tristeza.
Para o país é uma calamidade.

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