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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Uma das razões porque nunca serei de direita...

... é que a malta de direita tem habitualmente muita dificuldade em se colocar na posição do outro.

O Abc, um jornal da direita espanhola (e em Espanha as tendências editoriais são claras como a água) traz para título de 1ª página a revolta dos mineiras das Astúrias, com esta curiosa abordagem: "pedradas em defesa de um sector sem futuro".

Até pode ser verdade que as minas não tenham futuro (desconheço os detalhes para saber opinar), mas as pedradas significam a defesa de  um emprego, de um modo de vida, das famílias que são suportadas pelas minas, de um futuro. E isso devia ser motivo de respeito, de análise séria dos problemas, de procura de soluções para esta gente. E não de crítica, de chacota, acompanhada da célebre teoria da selva, em que cada um deve fazer por si.


A direita abomina a acção colectiva porque tem medo dela. É o maior perigo ao seu modelo de sociedade baseado no individualismo exacerbado, na acção egoísta e atomizada, na assumpção das desigualdades como um facto da vida, e numa visão conformistas da realidade.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A confiança espanhola

Nem sequer se admite a possibilidade do Nadal não ganhar. Ficou só adiada a vitória por causa da chuva.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O novo governo de Espanha e mais um programa de imposição de uma certa ideia de sociedade

Tal como em Portugal, também em Espanha o governo resultante das últimas eleições é um governo claramente à direita que aproveita a crise para executar um programa de alteração estrutural do modelo de sociedade, vendido como solução técnica inevitável:
  • limitação ao mínimo do papel do estado (cortes de 16 mil milhões de euros!!!);
  • penalização de quem vive do trabalho, com as inevitáveis alterações à lei laboral e as mexidas nos feriados (onde estamos a ver este filme);
  • mexidas nos modelos de reforma;
  • congelamento de contratação na função pública
  • novo modelo de televisão pública (que curiosa fixação com a comunicação de massa)
  • mexidas no sector financeiro
Que extraordinária proximidade com o programa do nosso próprio governo. E com a agravante de em Espanha o problema do défice não se colocar, pelo menos por enquanto, com a mesma urgencia que em Portugal.