... é que a malta de direita tem habitualmente muita dificuldade em se colocar na posição do outro.
O Abc, um jornal da direita espanhola (e em Espanha as tendências editoriais são claras como a água) traz para título de 1ª página a revolta dos mineiras das Astúrias, com esta curiosa abordagem: "pedradas em defesa de um sector sem futuro".
Até pode ser verdade que as minas não tenham futuro (desconheço os detalhes para saber opinar), mas as pedradas significam a defesa de um emprego, de um modo de vida, das famílias que são suportadas pelas minas, de um futuro. E isso devia ser motivo de respeito, de análise séria dos problemas, de procura de soluções para esta gente. E não de crítica, de chacota, acompanhada da célebre teoria da selva, em que cada um deve fazer por si.
A direita abomina a acção colectiva porque tem medo dela. É o maior perigo ao seu modelo de sociedade baseado no individualismo exacerbado, na acção egoísta e atomizada, na assumpção das desigualdades como um facto da vida, e numa visão conformistas da realidade.

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