sexta-feira, 18 de maio de 2012

Populismo e salários de políticos

Sempre desconfiei de quem acha que se devem cortar salários aos políticos. Parece-me uma atitude populista, boa para embalar descontentes, e que pode passar ao lado dos verdadeiros problemas.

Vem isto a propósito de não ver vejo qual a utilidade de em França se cortar 30% dos salários dos ministros. Normalmente é para justificar à partida futuros cortes em algum sítio......

Se nos situarmos em Portugal, a história recente demonstra que os nossos governantes, não ganhando mal para a realidade do país, também não ganham espectacularmente bem se compararmos por exemplo com os salários dos gestores das grandes empresas.
O grande problema é justamente que, depois de alguns anos a dar o corpo ao manifesto num governo (nenhum governante tem a vida fácil no período de governação - goste-se ou não de políticos, isto é verdade), os nossos governantes devem ganhar competências muito especiais, porque um elevado número transita para empresas, a receber aí sim ordenados extraordinários. Muitas vezes em empresas tuteladas pelos ministérios onde haviam estado.

Querem moralização? Então comecem por criar regras de razoabilidade sobre o regresso dos políticos à vida privada.

Acho lamentável que num momento como o que se vive agora, a primeira preocupação com um governo como o de França, de esquerda e essencial para que a UE saia do buraco onde se meteu, seja esta treta. Não augura nada de bom.

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