segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O PS e a alternativa

Na minha opinião a principal razão para a resiliência que o governo apresenta relaciona-se com a inexistência de uma real alternativa às actuais politicas no PS. E as constantes conversetas de gabinete entre Passos e Seguro em nada ajudam à ideia de que existe uma alternativa à esquerda - posto que os partidos à esquerda do PS não têm (pelo menos actualmente) peso eleitoral que lhes permita governar sem o próprio PS.
De facto, para este governo cair o PS terá que assumir uma clara ruptura com as suas política que se traduz pelos menos no seguinte:
  1. Defesa da renegociação dos empréstimos, em condições e prazos, sob pena de termos um país inviável (esta parte acho que o PS já percebeu);
  2. Recusa das refundações ao memorando e das reformas do papel do Estado, que aliás os eleitores não votaram, nem querem. Neste momento parece que o PS mais do que discordar não quer assumir o custo político destas opções;
  3. Defesa da aposta no apoio ao investimento produtivo em bens transaccionáveis (sobretudo dirigidos à exportação), baseando a competitividade do país na capacidade produtiva e na tecnologia e não em salários baixos e dumping fiscal. O que se tem ouvido do PS a este nível é tão vago que assusta.
  4.  Absoluta necessidade de tornar externamente explícito (nas negociações) que se não há apoio dos financiadores a este caminho, só nos resta pedir o mesmo apoio mas para sair do euro, única forma de termos um país independente a médio prazo.
O actual discurso do PS, pouco claro e sempre disposto a pontes com um governo em desvario, a bem de uma estabilidade política bolorenta, significa o assumir que o PS acaba por subscrever o caminho actual, ainda que com mal estar interno.
Enquanto isto suceder, teremos governo, e se nada muda teremos governo até cair de podre. Nesse dia o PS chegará ao poder, mas já poderá sobrar pouco para governar..... 

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