Pelo meio, ficou-se a saber que afinal a grande surpresa negativa (o buraco colossal) vinha de um buraco escondido nas contas da Madeira, com um governo regional liderado pelo PSD desde a instauração da democracia.
Em face deste buraco, e da não concretização das metas de receita fiscal, decorrente da retracção da actividade económica que as políticas e discurso do governo motivaram, ficou evidente o risco de não se cumprir a meta dos 5,9% de défice definida com a troika para este ano.
Na lógica da aldrabice que tem vigorado nas contas nos últimos anos, o governo fez uso de um expediente conhecido – integrar os fundos de pensões, agora dos bancos, nas contas públicas, assumindo ao mesmo tempo as responsabilidades futuras associadas – ou seja, criando mais uma bomba relógio para resolver no futuro, libertando os bancos de um grande condicionalismo futuro, e ainda associando à operação umas benesses fiscais para um dos sectores que em termos relativos menos impostos paga em Portugal.Deste modo, acabamos a fechar as contas com défice à volta dos 4,5%, muito abaixo da meta, e perguntamo-nos se isto era assim porque carga de água nos tinham que taxar quase 50% dos subsídios de férias. Passos veio explicar, para quem queira acreditar, que foi uma imposição da Troika para aceitar a incorporação dos fundos de pensões da banca nas contas públicas.
A nossa perda de soberania já chegou a isto.
Espanta também a docilidade com que o governo aceita sem discutir esta imposição da troika, mas por outro lado discute com o BEI o reforço de garantias na banca portuguesa.
Esta diferença de atitude define os princípios de funcionamento deste governo. Reconhecendo evidentemente a legitimidade com que foi eleito, não creio que seja legítima a defesa de interesses parcelares, deixando cair os interesses da nação como um todo, e sobretudo a defesa do povo que os elegeus.

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