Num país
onde o desporto de alta competição é olimpicamente ignorado, e onde apenas o
futebol parece interessar, é muito curiosa a expectativa que o país deposita de
4 em 4 anos nos atletas portuguesas que participam nos jogos olímpicos,
aproveitando-se os naturais desaires para sessões de violenta flagelação
inconsequente dos únicos que arriscaram e se esforçaram – os próprios atletas.
Esquecemo-nos
que para ganhar algumas medalhas é necessário dispor de um leque alargado de
atletas de excelência, e se possível em várias modalidades. E isso consegue-se,
como tudo, com opções claras e com investimento – em infra-estruturas, em treinadores
e equipas técnicas de suporte, e na selecção (nas escolas sobretudo) dos
talentos naturais.
Sem isto,
o que temos é um conjunto reduzido de atletas muito esforçados, alguns deles de
grande talento, que vão aos jogos e se tiverem sorte virão com um par de
medalhas. Ou então contamos com alguns milagres da genética, cada vez mais
raros em desportos completamente profissionalizados.
Neste
contexto, a marginalização da educação física nas escolas, que sempre foi um
pouco uma realidade, mas que será brutal já a partir deste ano, terá
forçosamente como consequência a redução do número de jovens a interessar-se
pela prática deporto e por consequência a diminuição (ainda maior) dos atletas
federados.
Receio
que a curto/médio prazo nem um par de atletas de excepção teremos para sonhar
com medalhas nos jogos...
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