Na linha dos desígnios deste governo, verifico com algum espanto a falta de pudor com que se ataca hoje o direito à greve.
Na semana passada, depois de grandes títulos na comunicação social sobre os custos (para as empresas e para o país) da greve dos controladores aéreos e dos pilotos da Tap, as greves foram desconvocadas. Só faltou sugerirem que se pendurassem os responsáveis pelo pescoço (mas pouco faltou). Esta semana é a vez da pressão sobre a greve dos médicos.
É evidente que uma greve nunca é gratuita, traz sempre incómodos e tem custos significativos. Mas a verdade é que essa é a sua própria essência (e por isso deve ser último recurso). Na empresa em que uma greve não tem qualquer custo, não tem impacto, e não faz qualquer sentido ser feita. O objectivo de uma greve é fazer pressão, é mesmo causar moça, porque se supõem existir uma causa maior.
Como é que este senhor que gere um ministério que anda a contratar enfermeiros a empresas de trabalho temporário com um salário na prática abaixo do que é estabelecido pela própria lei, tem a lata de vir argumentar contra a greve? (bem sei que a greve é de médicos, mas não tenho dúvidas que se há tempo sem que terão razões para a fazerem são os actuais).

Sem comentários:
Enviar um comentário